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O eterno não lugar das pessoas negras

  • Foto do escritor: Isabela Dos Santos
    Isabela Dos Santos
  • 13 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 19 de jan. de 2023

Por Isabela dos Santos


Esses dias me deparei com uma pessoa negra de pele retinta se questionando sobre sua realidade e desabafando que vive cercada de pessoas brancas. E que às vezes parece não fazer jus ao cargo que ocupa.


Fiquei surpresa. Ela usou a expressão "não lugar", "me sinto nem lá nem cá". E como isso é louco. Pra mim esse dilema do limbo veio por conta do meu tom de pele mais claro e da minha família renegando as raízes negras.


“Eu negra, será que sou mesmo?” Me questionava. Em comparação com algumas pessoas não me sentia digna de ser negra, porque era mais clara. Mas sabia que branca não era. Mas sempre estava ocupando lugares distintos. E me sentia nesse lugar, no limbo. Também nem me passava pela cabeça ser indígena.


Sinto que sempre reinventam a ordem desse não lugar do negro. Se você não nasceu militante, não veio da favela ou está ocupando espaços e posições de destaque no mercado de trabalho, você será jogado no não lugar. É uma armadilha pra gente se dividir e se autodepreciar, sabotar, questionar até que vire uma questão interna bem profunda.


O racismo não dá descanso. Eu acho o coletivo muito importante, mas a individualidade é necessária. Tenho curiosidade de saber de onde são meus ancestrais. Tenho um leve palpite que possam ser da parte árabe do continente africano. E eles eram bem diferentes dos negros do Congo, por exemplo.


Nos colocaram em uma caixinha, como se negro fosse uma unidade. Mas nossos ancestrais eram diversos. E sim, temos uma luta em comum. Cada um com consciência luta como pode.


A armadilha do não lugar quer que a gente não acredite que estamos lutando do jeito certo ou que não somos dignos de nos autoafirmar.


Mas o que mais dói é saber que recebemos olhares torto de nós para nós. Como já canta o rapper Coruja BC1 “Não me olhe assim eu sou seu irmão”.


Por enquanto, sigo acreditando na luta, mas também tento honrar minha história e individualidade. E não há porque sentir culpa por isso.


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Jornalista contando histórias, vivências e iniciativas de pessoas, gente como a gente.  
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